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Agradeço a sua visita!
February 09 TEU ROSTO DE SAUDADE Perdido entre hastes, folhas, flores temporãs,
Teu rosto de saudade se abstém de forma
E é primavera estranha, angústia na manhã.
Celina Bittencourt.
Extraído do livro "CADA TEMPO UM SENTIMENTO"
February 04 SENHOR, DEIXA-ME CHORAR Senhor, deixa-me chorar
O pranto terno que me envolve a alma
É manso sim, e triste e doloroso
E mais que um pranto um doído abraço
Que embala o coração há tanto morto
E abala a calma e me arrefece o fôlego.
Fazei-me oh Pai, debruçar-me ao passado
E lembrar com alegria bons momentos
Que a nós doaste e que ao passar do tempo
Surgem sutís, suaves, esfumaçados
Como imagens antigas do retrato
Que em mim guardei nesta memória gasta.
Senhor, deixa-me chorar
E apenas isto: apenas recordar!
Celina Bittencourt.
February 03 SONHO AO REGRESSO ...Cada acordar te subjuga à ânsia
de não ser gente e retornar criança
ao côncavo do ventre machucado.
E hás de voltar com a gratidão de outrora
ao aconchego deste amado ventre
com a paz da terra e o jeito da semente.
Celina Bittencourt.
extraído do livro "VERDE VERDADE"
February 01 AH, DESALMADA AURORA! Ah, desalmada aurora, desalmada aurora
Que rouba a voz e me estrangula o canto
E torna nulo este passar das horas
E me aborrece e me transtorna o encanto.
Desgarrada a missão do amanhecer em cores
Já não sugeres alegria e espanto
Mas uma nuvem opaca resvalada em dores
E consumado choro e lágrimas e pranto.
Pois de repente se me esvai a vida
Nesta aurora sem luz e sem carmim, vencida
Entre o que foi e o que teria sido
Este mísero viver sem ti perdido.
Ah, desalmada aurora, desalmada aurora
Que torna nulo este arrastar das horas!
Celina Bittencourt.
January 25 ERA A DISTÂNCIA LONGE Era a distância longe, era o passar do tempo,
Terríveis pesadelos te acordavam à noite
Pensava-os sonhos, arrastar do vento
Que tange as folhas e lhes rouba o alento.
O sono doce, a paz interrompida,
O sobressalto, o susto, o amor-suplício
Ja nem se sabe onde, ao decorrer da vida
Foram perdidos, se tornaram angústia.
Que te venha à memória, esvaída em pranto
Apenas os momentos que em ti guardaste
Inteiros, belos, tanto e tanto ternos
Limpos de dor e sem qualquer saudade.
Pois venceste o caminho e a caminhada
É agora, filho, Deus te dá alento.
Celina Bittencourt.
January 22 NÃO HOUVE DESPEDIDA... Não houve despedida, mas um beijo breve
E um abraço, nem sei, com tanto alento
Unindo coração a coração,
Como antes era quando estavas dentro
Do corpo meu na almejada espera
De compor uma vida mais alegre e bela.
Assim nos fitamos; um olhar tão denso
Querendo sussurrar alguma coisa
Que não querias dizer e eu cogitava
Palavras tuas mas calado estavas
Cerrados lábios, coração cansado
E o respirar...não revelava nada.
Ainda as mãos agitadas, bem recordo
Deixaram tristes e molhados os olhos.
Celina Bittencourt.
January 13 UM ANJO LOURO ADEJANDO OS MUROS Eras, mas não sabias,
Um anjo louro adejando os muros
Voando entre galhos robustos da mangueira
Cabelos lisos, cordas finas de uma lira
Tangendo sons inaudíveis que apenas eu ouvia.
Eras, mas te esqueceste
O jogador das bolinhas de gude
Que com mais presteza deslizavam sobre a terra plana
Fazendo seu gol na interferência da luz
de um sol ardente e leviano.
Foste o pequeno lutador de judô e o amigo fiél
Dos que venceste com a ousadia de um abraço
Que a eles deixava perplexos e atentos
Aos teus golpes afáveis que jamais machucavam
Pois desde então teus gestos ficavam aquém do vento leve.
Enfim, meu filho, foste um anjo louro adejando os muros
O jogador de bolinhas de gude sob o sol leviano
O escalador da mangueira tangendo tua lira
O lutador que vencia com a leveza de um abraço
E um filho que deixou as mais belas lembranças.
Te amo.
Celina Bittencourt.
January 11 JAMAIS VEREI FLORES MAIS LINDAS Jamais verei flores mais lindas
Do que as que não te levei.
Estavas tão longe consolando e curando as pessoas
Com teu carinho e as tuas palavras
Que, não sei, de repente rompeu-se-te o coração.
Estraçalhou-te esse dom de misericórdia
E ali, caído, pálida esvoassou-se a vida
Asas brancas, tuas mãos estáticas pousaram no chão
E os olhos abertos olhavam o infinito.
Mesmo que eu tivesse te levado as flores,
As mais jovens deste verão,
Mesmo que eu tivesse te entregado todas
Não poderias mais tocá-las com tua mão.
Eu beijaria tua face tal qual quando nasceste
Um beijo de amor, um beijo de saudade
No entanto a distância levou-te antes que eu chegasse
E as flores aguardarão pacientes
A passagem rápida do tempo.
Jamais verei flores mais lindas
Do que estas que guardei.
Celina Bittencourt.
January 10 NA ULTIMA VEZ QUE TE VI Na última vez que te vi eras informal no teu traje de jovem:
Bermudas floridas, alegres, com ramos de avenca e pencas de
estrelas
azuis, leves, de mãos dadas com o luar da hora
E com o perfume que acalentava o ar quando passaste pela rua
à altura do Caffé de la Paix
teu reduto diário e teu ponto de histórias.
Ah, Le Caffé de la Paix!
de la Paix!
Paix!
Na última vez que te ví meu coração batia
De uma alegria tola e de um langor tão triste, filho,
Não sei dizer porquê. Nem sei sentir porquê.
Mas meu coração era uma rosa comprimida entre o teu peito
e o meu amor.
Algo assim como um pássaro ferido gotejando sangue
Que deixei impresso no teu corpo que veio de mim.
Na última vez que te vi teu coração batia
Meu coração batia
E foi assim.
Le Caffé de la Paix
Paix...
Celina Bittencourt.
January 06 CORTARAM-ME O CORAÇÃO Cortaram-me outra vez o coração.
Mas por quê, Senhor, por quê não o deixar levar inteiro mas o deixas
Sangrando dilacerado fazendo doer, arder todo o restante destes poucos dias
E estremunhar em espasmos a estreita primavera que ainda existia?
Agora, onde os risos que ainda soavam nas manhãs de raro sol
E o saudar de pássaros gentis que me faziam sorrir, e ainda sorrir?
Como não deixar que a tristeza me avassale a alma e me retorça as forças
E torne cada amanhecer um sacrifício e o dormir um sonho
E os sonhos pesadelos de dor?
Como agradecer o dia novo se todo ele trará a marca da saudade
E a sensação e o cheiro da morte?
De que maneira esperar o final dos meus passos, já lentos e doídos,
Andar por veredas soturnas quando meu rumo está definitivamente marcado
E nada sofrerá meu coração com isso?
Tão definhado está, Senhor, que pouco se lhe dá este espasmo
E este sangue sofrido se jamais irei dele necessitar
Pra conduzir a minha vida?
Faz-me dormir o mais cedo possível o derradeiro sono
E no umbral dos sonhos definidos encontrar os filhos
Que de mim arrancaram sem nenhum pedido,
Oh Pai!
Celina Bittencourt.
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Chico Buarque - Maria Bethânia - Ana Carolina
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