celina's profileESPAÇO DE CELINAPhotosBlogListsMore ![]() | Help |
|
Agradeço a sua visita!
1 - "BEIRA SOMBRA" - Poesia 2 - "VERDE VERDADE" - Poesia 3 - "CADA TEMPO UM SENTIMENTO" - Poesia Os três livros acima já constam do meu Spaces.
1- "MI FUENTE DE CANCIONES" - Poesia
2- "CANTIGAS DA JUVENTUDE" - Poesia
November 20 EL REY DETERMINOU El rei, curvando-se aos ouvidos de Cabral, sussurrou coisas que à ninguém soou
sequer o eco. Imediatamente as orelhas do nobre tornaram-se rubras, vermelhas como
pimenta malagueta da Bahia. Encaminharam-se ao porto de Lisboa onde a esquadra (*) os
esperava na sofreguidão do embarque. E eram treze caravelas que se faziam balouçar
sobre o mar, trazendo à praia apenas uma marolinha leve, leve.Embora o número aziago.
Adeuses à parte, lá se foram as naves rumo à India com a incumbência de negociar
especiarias, além de encontrar uma passagem mais ao sul das costas africanas, tornando
o trajeto mais curto. À ninguém faltaria pimenta do reino,cravo, canela e coisa
alguma a que um menu que se prezasse pudesse despresar.
E pois, bordejando as costas africanas, de repente enfunaram-se as velas e lá se
foram, perdidos de rumo os até então simples navegantes. Atravessaram o mar em direção
oposta e vislumbraram um monte, um simples monte, ao qual Cabral religioso como era,
imediatamente denominou de Monte Pascoal.Explica-se: há muitos muitos dias só se comiam
peixes à bordo e isso já estava se tornando uma rotina de plena Páscoa.
Mas Deus é grande. Enfunadas, as velas se deixaram levar pelos ventos e foram
indo, e foram indo, até que avistaram uma ilha. Aleluia! Aleluia! gritaram todos em
especial Frei Henrique de Coimbra, os braços alevantados aos céus a título de oração.
Cabral não pestanejou: "Ilha de Vera Cruz!" determinou o meu, o teu, o nosso
navegador. E todos pularam de alegria mal contida quando as embarcações aportaram numa
terra enorme (mal imaginavam eles o tamanho!) e encontraram ali, prontinho, made in
Heaven, o porto seguro onde ancoraram sem grandes atribulações.
Aí Cabral, levantando os heróicos braços para o firmamento, afirmou: "É a Terra
de Santa Cruz"! ao vislumbrar lá ao alto, no firmamento azul, uma cruz de estrelas
maravilhosas, a qual foi batizada de "Cruzeiro do Sul" e que aqui está até hoje para
provar como tudo isto é verdade. Não costumamos mentir.
Imediatamente improvisou-se um altar com toras de madeira, colocando sobre ele
todos os apetrechos que haviam trazido ao longo da viagem: uma linda toalha bordada
na Ilha da Madeira, os missais, cálice e óstias que já estavam um tanto rançosas, um
alegre botijão de vinho português finíssimo - não me recordo a marca...talvez Grandjó
ou Casa da Calçada.
E assim Frei Henrique iniciou a missa que foi um tanto tumultuada pela chegada de seres
completamente estranhos enfeitados de penas apenas na cabeça, corpos vermelhos, e
gritando e dançando como se aquilo fosse uma festa. Atordoados, foram se chegando,
sacudindo os colares e demais apetrechos sem a menor noção do que faziam.
Frei Henrique acabou de rezar rapidinho a missa e tapou os olhos com as duas
mãos, escondendo-se como pôde entre os matos e as àrvores.
Mas aos demais aquilo tudo agradou em cheio. Principalmente quando os marujos fizeram
distribuição de espelhinhos pras índias e os índios, que não eram bobos nem nada,
retribuiram com cuias de cauim. Animação geral; foi a maior festança do descobrimento!
Enquanto isso Cabral determinava urgência à Pero Vaz de Caminha que, sentado no
seu banquinho, completava a carta e acrescentava a assinatura.
Estava, enfim, descoberta a terra que, viu-se, ao serem serradas as táboas para
o altar, passou a chamar-se Brasil.
Foi aí que, há quinhentos anos atrás, iniciou-se o desmatamento ... mas isso já
é outra história.
* - Esquadra não era uma ex quadra de tênis ou de volei. Na verdade era e é uma
reunião de navios, um conjunto de embarcações.
Celina Bittencourt.
Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2009.
NÃO CREIO NA PESADA HERANÇA Não creio na pesada herança
que gela a alma ao nos fazer lembrar
gritos estóicos, nesta voz da história
revolta e ânsia de se libertar.
Avante pois, amigos sempre irmãos
pois vosso sangue já tingiu o rosto
as mãos que cultivaram o vão sustento
e os ossos, em cortado sentimento.
Teu nome nos será lembrado sempre
em cada vão, nas résteas deste solo
que envergonhado faz nascer sementes
e vidas novas na letal revolta.
Pois teu suplício não terá sentido
sem que a memória te refaça os traços
suor e choro e te venere o nome
na história secular da tua raça.
Celina Bittencourt.
Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2009.
Dia do Zumbi - Herança negra.
November 18 NÂO PAGAR VISITAS Não pagar visitas, eu sei, é um hábito anti social, alarmante, de extrema falta,
de natureza agreste e, por fim, da mais completa falta de educação.
Pois é, todo o mundo sabe.
Agora, quando se trata de não pagar contas, aí as coisas mudam de figura. Já
passam para o estado de direito que, como o mundo inteiro sabe, é exigente, voráz,
irritadiço e intolerante senão a esfera superior não estaria esbanjando tanto por nossa
conta. (Se isto vai dar um treco ou acabar mal, sei la! Depois a gente vê.)
Voam-me os dias pela cabeça, da mesma forma que quando tento dormir voam-me
crônicas e poemas desvairados pela mente seminerte, pelos recôncavos recônditos de uma
memória - convenhamos - gasta pelo tempo. Já pensei em vir para o PC e deixar tudo
aqui. Mas, meu Deus, o entrelaçamento é tanto que não chegaria a tempo de soltá-los,
loucos acrobatas, ponderadamente no espaço já triste.
Queria chegar à contagem dos dias que fica esquecida e em segundo plano em
ocasiões como, por exemplo, o aniversário de um amigo e, não nego, ainda mais no
aniversário de uma conta. Aí o pavio apaga. E a conta vence e eu nem aí!
Meu contador, que é meu filho, também vai deixando passar talvez por prematuro
esquecimento ou mesmo por um ato de caridade mal resolvido. O peor é que isso aconteceu
ontem quando fui entrando toda feliz na internet, a cabeça atulhada de entulhos, e
acabei "entrando pelo cano". Niente (aprendi com uma amiga portuguesa que constantemen-
te me dá as mãos e o coração lusitano). Passei o dia inteiro nessa lenta agonia de
múltiplas tentativas e anoiteceu, e eu dormi sem esperança alguma, e deletei, com
raiva, todos os meus escritos mentais. Que a essa hora já haviam se auto deletado.
E com toda a razão!
Quero ver se agora passo a utilizar meu calendário, tão útil! Utilíssimo e eu
nunca dei por isso.
Apenas resta lembrar todos os dias de abrir o calendário e verificar visitas e
contas e mais não há. Preciso apenas do ato de "lembrar". O que é o mais difícil, e eu
sei muito bem disso!
Portanto...
Celina Bittencourt.
Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2009.
November 14 BOTANDO OS PINGOS NOS IS........... Amigos, cada vez mais me compenetro de que o mundo é uma bola, uma grande bola
redonda onde todos se penduram como podem. E há aqueles que podem mais e existem os
que podem menos. Àqueles que podem mais sobram oportunidades e idéias radiantes,
esganadas e enganadoras e àqueles que podem menos resta deixar-se levar pelas emoções..
As emoções vocês sabem, turvam a vista e aguçam o paladar (coisas que sobram àqueles
que podem mais).
Pois não é, colegas, que ia me deixando levar por uma profunda emoção? A de ficar
milionária, a de receber dólares furados porquanto era urgente e REAL a proposta que
me chegou como mensagem de um certo Bachellor (advogado) em meu espaço.
Portanto, colocando os pontos nos iiiiiiiiii, gente, tem muito mais "aqueles que
podem mais" do que aqueles que podem menos. Só que os que podem menos já sabem que o
olfato é uma arma avassaladora e vai daí farejando...farejando...nhoc! nhoc! não cai
na esparrela que de agora em diante passa a se chamar fraude, com o coletivo
denominado "corja", "bando", "turma" e...nada mais me ocorre. A não ser um palavrão,
mas isso não convém na minha idade, dando mau exemplo à descendência e a vocês,claro!
Vejam só, viagem frustrada, passagem não comprada. Só fico com pena da British,
mas o que fazer? Queriam que eu pagasse a passagem mas... o que? Sem a herança não pago
mais nada nem visita.
Tudo o que lhes contei na crônica passada foi real até o ponto em que andei
investigando, andando pelos espaços, andando não, correndo pelos espaços e localizei
o douto "bachellor" - apenas um nome solto um componente não sei de que corja.
Parece que a pessoa não existe, é simples fantasma!
Se personagens da corja estão entrando assim, sem bater, no meu inerte espaço onde nem
música tem e nem imagens, onde navegam apenas idéias e palavras esvoaçam, um lugar
árido, tadinho, pobrezinho, sem um oásis, um gole dágua, um arrego, uma redezinha
nordestina e nem um pedaço pequeno de carne de sol...ah, aí tem!
Vejam que desconfiada sou eu que passei a duvidar da minha própria sombra e a persigo
e só a encontro ao meio dia. Hora em que acordo do meu longo sono de verão...dureza!
Aviso: tenham cuidado! Se estão tentando botar a velhinha numa fria, podem também
procurar por vocês! Abram os olhos e soltem os cães. De preferência perdigueiros e
pitbulls. Daqueles de dentes arreganhados, selvagens, ranzinzas, esfomeados,
carniceiros, etc., etc., etc....
Celina Bittencourt.
Rio de Janeiro,14 de novembro de 2009.
November 11 A HERANÇA DE CELINA Eu não queria escrever coisa alguma hoje.Estava protelando, protelando...mas,
afinal, "a noite ainda é uma criança"! Pelo menos ela. E vai que, olhando o relógio e
lembrando mensagens secretas, a gente recebe algumas prá lá de secretas. Indiscretas.
Não vão pensando que fico propalando ao vento tudo o que recebo. Sabem que não. E
nem ficaria bem à alguém do início do século (passado) ter a lingua, não, a lingua
não, os dedos tão ágeis no gatilho.
Em todo o caso, lá vai!
Gente, estou em vias de ser uma milionária. Pensem bem: UMA MILIONÁRIA! E ainda
por cima montada nas verdinhas! Em dólares! Exulto de alegria.
Recebi uma mensagem dirigida em francês à minha excelência e escrita em inglês. Questão
de gosto. E gosto não se discute pelo menos é o que diziam nos meus tempos.
Pois imaginem só que sou herdeira única de uma herança de nada mais, nada menos, bem...
aí nem vou contar o valor pois existe muito "olho gordo" por aí e poderia até acabar
mal a minha herança. Mas uma coisa, pessoal, monstruosa! Daria pra comprar o castelo
do senador lá em Minas Gerais, mais quantos quizesse na Europa, dar a volta ao mundo
num cruzeiro prá lá de chiquérrimo (com o Roberto Carlos à bordo), a terra do Neverland
e lá vai pataca. Por fim compraria um Banco (banco Banco mesmo, pois do outro já tenho)
onde guardaria o resto da herança.
Vejam bem, não é uma alegria? E para tanto bastaria jurar de pés juntos perante a Lei
que meu sobrenome é o mesmo do de um falecido em um acidente fatal na Inglaterra há
alguns anos atrás.
Beleza, vocês vão dizer.
Beleza, digo eu. Vejam só que facilidade! As coisas boas "acontecem" na vida.
E em proporção igual ou maior do que as ruins!
Então meus amiguinhos, adeus! Amanhã estarei embarcando para Londres no primeiro voo
da British. Resta que não caia. Eu chego lá!
Só não sei se volto.
Celina Bittencourt.
Rio de Janeiro, 11 de novembro de 2009.
November 10 A NOVA GAROTA MADONNA Ipanema, gente, fervilha de calor e de amantes. À porta do hotel toda a Polícia
Civíl armada até os dentes, guarda-os e não expõe sorrisos; é séria e grata à idéia
de proteger e de ver bem de pertinho...quem? MA-DO-NNA. É isso aí, a cantora dublé de
vamp e de boasuda. Não, não estou adjetivando porque na verdade todo o mundo sabe que
é ambas as coisas. Sabe mas não prova.
Ah Vinicius meu poetinha de porta de bar, tragando chopinhos e compondo músicas ali
pertinho, com o sol fervendo e te queimando a verve, oh amigo! Imagino a inspiração
que te traria esta pujante, magra e wonderfull Madonna! Com seus filhinhos ao lado
e olha, vou te dizer, colega, ela é caridosa à bessa!
No entanto, vejas só, já passou a Heloísa por aqui há alguns anos, é verdade, e soube
explodir em tí esta "Garota de Ipanema" que continua percorrendo o mundo, girando o
universo em todos os tons e em todas as linguas inclusive o português!
Bom, pensamentos à parte, e lá surge, clara, leve, flutuante, perfumada, a nova
garota de Ipanema. Pelo menos durante uma semana. A Polícia Civil se apruma, monta as
armas, arregala os olhos e devora a paisagem... aquele mar todo azul até os confins do
horizonte chegando a Portugal e Algarves. A multidão se alvoroça, agita ondas novas no
calçadão, grita, pula, chacoalha indócil, manda beijinhos mil (e inúteis- deixa pra lá)
e recebe em troca os braços fiéis de Madonna num amplo abraço sem fronteiras e um beijo
apenas gestual mas fotogênico pra ninguém botar defeito.
Pois é, a vida é feita de Heloísas e de Madonnas. Ambas esbanjando charme, chama-
tivas e voluptuosas , colocando dentro das mentes desejos impossíveis, mas deixando de
roldão os acordes de novas canções e a tentativa frustrada de um poema novo e de uma
crônica... mais ou menos...Sei lá!
Celina Bittencourt.
Rio de Janeiro, 10 de novembro de 2009.
November 04 DIFICULDADES DE UMA ESCRITORA DESINFORMATIZADA Fica perdidona. Aperta o coitado do mouse com tanta força e impertinência (até
diria violência) que ei-lo, com um amasso do lado esquerdo sofrido pelas constantes
agressões. Poderiam até supor que deu uma trombada mas mouse é mouse, gente, não é car-
ro, não! E dedo é dedo, sabem, dói pra caramba! Isso sem falar nos calos latejantes.
Confesso, ainda estou aqui, carregando esta quase centena de anos nas costas, ah,meu
Deus, porque além de ser chata, persistente, nutro alguma espectativa de sucesso, nesta
obcessiva carreira. Vejam só, não sou eu a última que morre! É Ela, a...vocês sabem!
Ainda bem!
Mas voltando ao infortúnio da desinformatização. Meus filhos sempre quiseram, e os
netos e agora os bisnetos, que eu faça um cursinho. Coisinha atoa dizem eles, amanhã
a senhora estará manjando tudo, tudinho! Comandando essas teclinhas, esses botõezinhos
- também absurdo, né gente, a quantidade de sinaizinhos e figurinhas que aparecem!
Há dois anos estou tentando colocar música no meu espaço pra torná-lo mais atra-
ente, mais night, mais light e mais love mas não consigo!
Não é mesmo pra se desistir? E vocês não sabem o peor de tudo: todos os meus filhos,
netos e até os bisnetinhos, vejam só, sabem TUDO mas TUDO de computador! Mas se fazem
de desentendidos porque estão sabendo muito bem que a velhinha, vamos dizer, não trouxe
"aquela" herança dos genes informatizados. Trouxe uma herança pré. Anti.
Como isso aconteceu eu não sei.
E já que a minha coluna ainda é a mesma desde que vi a luz do mundo pela primeira
vez...
Celina Bittencourt.
Rio de Janeiro, 04 de novembro de 2009.
November 03 DESATINADA ESPERA Se o tempo foi passando e não julgamos
tão cedo se esgotasse a espera
desatinada e ingrata ah! primavera,
ainda darás as flores e os rebentos
buscando novo e matinal alento.
Suspiraremos juntos ao rítmo coeso
do amor que não passou mas que vigia
instante a instante cada nova lua
temendo o triste soluçar do adeus
e o afastamento e a dor que a nós machuca.
Celina Bittencourt.
November 01 " TRADUTOR, TRAIDOR" "TRADUDORE, TRADITORE"
Lida há muitos anos durante a minha longa vida, esta frase me
ficou gravada como um aviso e uma verdade - ou ambos.
Fazia eu a tradução de um livro de Robert Brown e ainda não avaliava
o quão árdua e sensível era a tarefa. Cada palavra em sí dizia não
apenas o seu valor de "palavra" mas, muito mais o que ela significa-
va em seu valor intrínseco, direi emocional, de localização e de
colocação entre as outras.
A simples tradução de um texto conduz a variadas interpretações e
cada uma induz a um resultado.
Em se tratando de POESIA torna-se muitíssimo mais difícil expressar
o que o poeta diz ou quer dizer, pelo fato de aí entrar um elemento
que por sí só depende exclusivamente do pessoal, do "SENTIMENTO", do
"SENTIR". E esta ação varia de pessoa a pessoa.
Na verdade nenhum poeta gosta ou gostaria de ler uma das traduções
do seu poema conduzindo, focalizando, dizendo aquilo que ele não
sentiu, não quiz dizer, enfim, dando uma noção contraditória e aves-
sa as emoções humanas - que também diferem entre sí.
Pessoalmente tenho muito medo de traduções maquinais onde não entra
o fator humano, o coração e o cérebro mas que podem terminar não ex-
ternando o significado afetivo de quem escreve.
Obter as palavras no dicionário é tarefa infantil a que se acresce
o encontro de simples sinônimos. Difícil, na realidade é qual deles
usar para expressar determinado estado de espírito estritamente pes-
soal.
Precisamos nos convencer de que máquinas não teem sentimento e que
se limitam a traduzir "a palavra" e jamais alcançar o significado
da palavra e a profundidade de seu alcance no espírito humano.
Celina Bittencourt.
Rio de Janeiro, 01 de novembro de 2009.
October 31 OS SEQUESTRADORES DA CASA Pois não é que as coisas ocorreram de modo inverso? Meu amigo, os sequestradores
ficaram com pena de mim! Pensaram:"pobre velhinha, por que roubamos tudo o que levava
no coração? Estas coisas murchas, ultrapassadas, este bau de quinquilharias que carre-
gava até com desmedido amor? Lembranças abstratas que nenhum money nos daria em troca..
vamos lá, " à Cesar o que é de Cesar!"
Aí fiquei sem saber: seriam eles uns "letrados" bandidos ou haveria algum chamado
Cesar? Não cheguei a qualquer conclusão e acho que jamais chegarei desde que podem
haver centenas de bandidos letrados e todos com o mesmo nome. (Perdoem-me os Césares).
De posse da devolução, imaginem vocês, vizualei a fita polaróide onde estavam as
imagens mas não consegui desvendar em meio às árvores do quintal em qual delas parara o
meu texto. Nas mangueiras, quase sangue do meu sangue? No pé de araçá vistosão e
amarelo? Na jaboticabeira anêmica que trazia presas ao tronco as duas únicas jabotica-
binhas pretas e mais nada? (Isso desde o outono de há dez anos atrás). Terá sido nos
galhos do abacateiro exagerado que fornecia sua carne tenra à várias famílias e prati-
camente sobremesa a todos? Na verdade não tenho a menor idéia.
Mas, vejam bem, esta crônica que já estava se encaminhando para um caso de polícia
agora volta a ser tolamente inútil. Mesmo que vocês já devem estar "por aqui" de tanta
tensão de tanta apreensão desde aquele abominável sequestro. Até perdôo. Os seques-
tradores. Pobres diabos, voltem a sequestrar coisinhas assim, são iniciantes, teem
coração de manteiga, mas precisam de uma urgente formação técnica. E esta só pode ser
administrada por um dos seletos cursos do Senado. São caros mas compensam...
Aux revoir!
Celina Bittencourt.
Rio de Janeiro, 31 de outubro de 2009.
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|